segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Quando a revolução chegar

Quando a revolução chegar
Ela não trará flores
Nem sorrisos
Virá com os olhos embotados
De lágrimas e injustiças
E requisitará a tua mão

Quando a revolução chegar
Não trará belezas
Nem alegrias
Chegará calejada e áspera
Da labuta diária
E quererá a tua força

Quando a revolução chegar
Não virá em cavalo branco
Nem de carro
Mas nos pés oprimidos e teimosos
Despidos de tudo
E buscará o teu vigor

Quando a revolução chegar
Não virá de fácil acesso
Nem bom grado
Mas da força da massa uníssona
Do povo unido
E precisará da tua voz

Quando a revolução chegar, amor
Antes da sonhada liberdade
Haverá luta
Antes da nossa glória,
O luto
Que, para nós, será verbo.



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"Vem, vamos embora que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer."

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Multifaces

Porque somos muitos, e muitas vezes todos explodem ao mesmo tempo.
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Multifaces 

Venho com o rosto já batido
Braços cansados
Coração em pedaços
Pés rachados
Mãos inertes
Boca calada.

Chego com a alma encharcada
O corpo abatido
O passo pesado
A língua colada
Os olhos cerrados
O orgulho ferido.

Tenho múltiplas faces
E todas elas
Já estão marcadas.



"Pai, afasta de mim esse cálice. De vinho tinto de sangue. Como é difícil acordar calado se na calada da noite eu me dano. Quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado. Esse silêncio todo me atordoa. Atordoado eu permaneço atento na arquibancada pra a qualquer momento ver emergir o monstro da lagoa. Pai, afasta de mim esse cálice!"

sexta-feira, 30 de março de 2018

Presente

Presente

Tua ausência abrupta
A forma como tua vida foi ceifada
O sangue inocente que jorrou
E inundou o país
Transbordou pelo mundo
Fazem de ti símbolo de um povo.

Tua luta, tua lida
Teu suor, teu sacrifício
Marcaram o mapa
E ecoaram no universo

Do Rio pra Eternidade
Eternizada em muros
Discursos, lágrimas
Trabalho, corações.

Que peguem e prendam
O(s) algoz(es)
Que agora gozam
Liberdade.

Que tua alma ganhe asas
Que tua memória ganhe terreno
Que teu discurso ganhe voz
Que teu legado receba justiça.

Marielle vive
Marielle grite
Marielle lute
Marielle, presente!

Fonte: Google Imagens

"Como é difícil acordar calado, se na calada da noite eu me dano. Quero lançar um grito desumano, que é uma maneira de ser escutado. Esse silêncio todo me atordoa, e atordoado eu permaneço atento.  Na arquibancada pra a qualquer momento, ver emergir o monstro da lagoa."

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Eu deixei passar os primeiros dias para poder postar a minha homenagem, tão singela. Seria hipocrisia falar que conhecia o seu trabalho. Eu conhecia o seu nome, por sempre pesquisar por mulheres na política.

A ferocidade com que a atacaram após a sua morte, é quase tão horripilante quanto a matar. Quem aperta o botão que propaga as notícias falsas, é tão sem escrúpulos quanto quem apertou o gatilho.

Não nos calemos, não abaixemos a nossa cabeça; Não vamos fingir que nada aconteceu, e Anderson e Marielle não terão partido em vão.


segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Criação

Criação

O mundo ficou mais bonito quando você nasceu:
O sol brilhou mais forte
A brisa soprou mais suavemente
A grama ficou mais verde
O mar se acalmou e veio beijar a areia
Um beijo doce, suave
Como a sua existência.
O sol se pôs
Derramando sobre o céu
O vermelho aveludado de seus últimos raios.
A noite veio com seu negrume
Porém a lua e as estrelas
Brilharam mais intensamente
O mundo ficou mais iluminado
Deus atingiu o ápice da Criação:
Você nasceu.

Fonte: Pixabay

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"Deus sabe a minha confissão. Não há o que perdoar, por isso mesmo é que há de haver mais compaixão."

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Oca

As bolas de algodão passeavam por sua face. Aos poucos, revelava seu rosto real, enquanto a cara maquiagem tingia a bolota branca e macia em sua mão.

Assim, de cabelos presos e rosto limpo, lembrava apenas vagamente a mulher que era durante o dia. As bolsas arroxeadas sob os olhos eram constantes agora. Era necessário muito corretivo e pó para deixar a pele apresentável.

Andreia sentia o peso da idade. Seus 32 anos, cheios de baladas e vida noturna, além da constante cara fechada, faziam-lhe rugas próximas aos olhos. As mãos, antes macias, começavam a apresentar algumas manchas e aspereza.

Olhou-se francamente no espelho, e não gostou do que viu. Não se via na mulher madura que o reflexo lhe mostrava. Não conseguia se enxergar sem as roupas de grife, a maquiagem impecável e todos os adereços luxuosos que ostentava. Assim, despida de tudo o que lhe compunha, era somente mais uma, e ela gostava mesmo era do destaque.

Deitou, mas não conseguiu dormir. Rolava pela cama vazia, pensando em sua vida. Mais de 30 anos, morando com a mãe, em um emprego que não via muita evolução, sem um namorado fixo e sem nada que fosse seu de verdade, além das dívidas em seu nome dos cartões de crédito.