terça-feira, 3 de março de 2015

Inundação

Porque sempre é essa avalanche. E lá vem tsunami.
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Inundação

Doce torpor inebriante 
O qual com a ponta da língua saboreio
Sensação pura, 
É sentimento que nasce! 
Enquanto a respiração ofega.
Meus dedos ainda não alcançam minha meta 
Do perfeito enlace com os teus
E o que vem é só a chama a queimar 
É coração acelerado, 
Pensamento que voa
E o meu peito que transborda e inunda
E encharca de esperança todos os espaços
Deixados pela tua lembrança. 
Só quero te querer.


Fonte: Google Imagens

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"Outra vez, eu tive que fugir, eu tive que correr, pra não me entregar. As loucuras que me levam até você, me fazem esquecer, que eu não posso chorar..."

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Sobre gritos e silêncios

Era o dia mais triste da minha vida. Eu acabara de perdê-la. Acabara de receber a notícia, acabara de tocar a sua mão fria e estática. Morta. E então veio a dor. E com ela a sua caixa de Pandora repleta de tristezas, de agruras, de tormento e de vazios retumbantes. Colei minha testa no vidro da UTI, minha boca ao mundo, minhas mãos ao vento e soltei os pedaços do coração que batia e apanhava, na ânsia de sobreviver e morrer, ao mesmo tempo, como quem se debate debaixo d'água e tanto afunda quanto nada. E então veio o grito. Alto, pungente, agudo e imperfeito. Experimentei a agonia mais intensa, como se mil punhais flamejantes transpassassem o meu corpo e arrancassem de mim tudo o que sou e sei. E foi então que eu o vi. Calado, sentado num canto, envolto no silêncio denso feito névoa que ecoava de sua tristeza. Minha dor gritava, urrava, esmurrava e chutava tudo ao redor. Saía pelos poros, vazava da boca e dos olhos, transbordava o coração e a alma. Minha dor era trovão e a dele mudez. A dor dele era intangível, imensurável. Enquanto a minha explodia, a dele descia pela garganta, serpenteando entre o choro engolido e se instaurava lá dentro. Quieta, muda, latejante. Perigosa. Minha dor lutava para fugir, e a dele se escondia. Como um animal acuado, recostou-se de cabeça baixa e chorou. Chorou pra si, pra sua dor. Regou-a com suas lágrimas internas. Queria abraçá-lo, queria dizer a ele que tudo ficaria bem. Queria recolher as suas mãos entre as minhas e enchê-las de esperanças, mas o sentimento dele era isolado, era único, intocável. Imóvel, ele assistiu a minha dor correr. Correndo, eu mal vi a sua dor implodir. Enquanto a minha dor berrava para sair, esguichava e enchia o ar, a dele silenciava, crescia para dentro, implodia e estremecia, como se o magma incandescente voltasse para dentro da terra e ardesse em brasas até queimar tudo por dentro, para só então escorrer em lágrimas quentes pela face e formar o pequeno oceano negro de tristeza mútua que nos rodeava e nos separava. E assim passamos longos meses em busca de algo que jamais teríamos. Que nunca mais encontraríamos. Que nunca mais fomos.
Desculpe-me.



conto-homem-triste

"Água deve vir, diz a previsão. Vai nos alcançar sem qualquer rancor. Maré alta em mim. Água um dia brotará dos nós, em nós. Vai decantar. Lágrimas que fingem que não são mas são parte da enxurrada que virá, cheia de esquecer. Uma inundação por todo lugar porque se evitou. Maré alta enfim." (A Banda Mais Bonita da Cidade)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Marina

Tens o nome da minha heroína
Faça a homenagem valer
És esperança, o amor que ensina
És vida nova a florescer

E quando ao te segurar
Mirei teu doce olhar que sorria
Eu vi o sol a raiar
E o que era noite virar dia

Mergulhei no teu azul profundo
E vi um reflexo que eu já conhecia
O mundo parou por um segundo
E eu me descobri "tia"

E desde o dia em que você nasceu
Que eu me sinto assim, plena
Toma, Marina, que é teu
Meu amor em forma de poema.





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"Por ser exato o amor não cabe em si. Por ser encantando, o amor revela-se. Por ser amor, me invade... e... fim..."

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Saudade Grande

1 ano.

Saudade Grande

Teu sorriso era como algodão doce
Que alegra o dia de repente
Como se o riso remédio fosse
Felicidade era te ver contente.

Teu abraço era quentinho
Onde eu sempre me aconchegava
Tal qual pássaro retornando ao ninho
Era o teu colo que me acalmava.

Tua presença era o meu farol
A guiar-me os passos incertos
Irradiando luz, meu primeiro sol
Onde eu sempre queria estar perto

Hoje tenho somente a lembrança
De como era bom te ter aqui
A dor aperta, desesperança
Saudade de tudo, saudade de ti

Te amo, vó.


"Enquanto a chuva molha meu rosto, ela esconde a minha lágrima que insiste em encontrar o chão. Enquanto o frio toma meu corpo, eu aprendi sem a gramática, que saudade não tem tradução."

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Adeus Agora

Apenas.

Adeus Agora

Tic, tac, corre o tempo
Tic, tac, mais um mês
Tic, tac, desalento
É você, outra vez.

Vens como a madrugada sorrateira
Tua presença, teu ar, teu eu
A relembrar a hora derradeira
Em que pude chamar-te meu.

E os dias passam voando
Com o peito a bater descompassado
Água-de-lágrima escoando
Dum amor que não é passado

Tic, tac, triste intento
Tic, tac, doce amargor
Tic, tac, vai com o vento
Tic, tac, adeus amor.




"We could've had it all... rolling in the deep. You had my heart inside of your hand and you played it to the beat."