terça-feira, 18 de abril de 2017

Subterfúgio Antropofágico

Subterfúgio Antropofágico


Meus sonhos estão esquecidos
No fundo da gaveta
Amassados numa garrafa qualquer
Vendidos por uma vida "normal"
Sem mal
Sem tal
Sem sal

Meus anseios foram engolidos
Minimamente deglutidos
Mastigados e mitigados sofregamente
Como quem engole sapo
Sem trato
Sem tato
Sem papo

Minha vida foi dilacerada
Como colisão frontal
Uma profusão de dor e sangue
Estrebuchando no chão
Sem comunhão
Sem mansidão
Sem compaixão

E o que me resta é o fim dos tempos
Certeira lança fincada
E meu subterfúgio antropofágico
É me consumir
Sem fingir
Sem sumir
Sem partir

De fato.





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"Where do you go when you're lonely? Where do you go when you're blue? (...) When the stars go blue..."


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Atraso

Atraso

Tua ausência é o que há de mais presente
Mais pungente
Mais mordente
Mais urgente.

Teu silêncio é punhal cravado
Bem afiado
Bem marcado
Bem apertado.

Tua lembrança é fogo em brasa
Que me abrasa
Que me atrasa
Que me arrasa



Ê saudade.


Fonte: Google Imagens

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"Quando não estás aqui, sinto falta de mim mesmo."

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Embriaguez

Teus olhos
Tuas mãos
Tua carne
Teu eu.
Tudo em ti
Toca o que há de mais insano em mim.

Tua presença
Tua certeza
Tua firmeza
Tua solidez.
Toda tua constância
Inebriam a minha alma inquieta e ansiosa.

Teu ar
Teu cheiro
Teu gosto
Teu calor.
Tudo que emana de ti
Me enlaça o juízo e me lança à loucura.

Sonhos
Sussurros
Promessas
Delírios.
Você, por inteiro,
Me leva ao torpor de uma louca embriaguez.

Fonte: Google Imagens

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"É que eu te vejo em tudo. Em cada canto dessa casa. Nos cabides, nas gavetas e na cama bagunçada, e no box do banheiro sempre que o vidro embaça, tem seu nome, um coração, e uma flecha atravessada."

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Verborragia

Verborragia

Entre gritos silenciosos
Minha garganta muda
Clama por razão.
A discreta transição
Entre sensato e insano
É tênue, imperceptível.
Não são opostos,
Mas, complementares.
Não há paz onde nunca houve guerra.
Danço em brasas quentes
Labaredas que consomem meu ar
Misto de prazer e dor.
Flerto com a morte e a loucura
E suavemente, deslizo entre sanidade e razão.
Com o ritmo cadenciado dos desesperados
Que fingem o equilíbrio felino.
Toda palavra é flecha
Cada nova aurora é lâmina
A realidade é poesia marginal
A estapear-me a cara.
A madrugada é finita.
Acorda, mulher!
É dia...


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"O deserto que atravessei, ninguém me viu passar. Estranha e só. Nem pude ver que o céu é maior."

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Rotina

ROTINA

O ar queima os pulmões
Feito brasa incandescente.
O braço adormecido é peso inútil
Balança solitário ao lado do corpo.
As pernas amolecem com a sobrecarga
Viro água escorrendo por mim.
A sanidade é um véu que se rasga
E dilacera a carne fresca.
A loucura é um vil desejo
E o medo supremo do amanhã.
Pensamentos que transbordam
Escorrem pelas arestas mal aparadas de mim.
Minha mente é rio de tormenta
Águas turvas que mal tocam o céu.
1, 2, 3, e solta o ar
Lufada de esperança moribunda,
Sussuros entrecortados
Puxa pelo nariz e solta pela boca.
Eu (não) estou bem.
Eu (não) estou bem.

Fonte: Google Imagens

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"Viajamos sete léguas por entre abismos e florestas. Por Deus! Nunca me vi tão só, é a própria fé o que destrói. Estes são dias desleais..."