domingo, 27 de fevereiro de 2022

(Des)sentir

(Des)sentir

Sou uma antítese de mim
Um não-eu
Eu ausente.

Um poço de mágoas
Um mar de dores
Que me afogam.

Aceno sofregamente do fundo
Naufragada n'eu mesma
Arrebatada na escuridão.

Como se me perdesse por dentro
Num turbilhão imenso
De sentimentos turvos

Quisera eu encontrar fôlego
"Dessentir" toda maré
De angústia e padecimento

Voltar pelo caminho de migalhas
Pelos rastros de destruição
Do sentir demasiado

Talvez assim eu me encontrasse
E apontasse outra direção
Mais colorida e completa

Enfim,
Quiçá
O fim. 


Créditos da imagem: mocah.org / Manipulada pela autora

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Veja o sol dessa manhã tão cinza. A tempestade que chega é da cor dos seus olhos, castanhos... Então me abraça forte.

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